
Regulação · 3 min
Ohio manda licenciados cortar com mercados de previsão
Um corredor de sala de servidores com luz fria, com uma prancheta com uma carta impressa e um envelope numa prateleira do rack. · Bonusjungle illustration
A Ohio Casino Control Commission avisou os seus licenciados, de casas de apostas a serviços de integridade e laboratórios de testes: servir mercados de previsão sem licença levanta, segundo a carta publicada pela The Event Horizon, sérias dúvidas sobre a idoneidade. Têm de parar e atestar o cumprimento até 30 de outubro.
O regulador do jogo do Ohio avisou as empresas que licencia de que prestar serviços a mercados de previsão sem licença levanta «preocupações significativas quanto à idoneidade». Numa carta enviada na terça-feira, 20 de outubro de 2026, aos licenciados e requerentes de apostas desportivas e concursos de fantasy, a Ohio Casino Control Commission (OCCC) mandou-os, segundo uma cópia publicada pela The Event Horizon, «cessar imediatamente» esse trabalho. A diretora executiva interina, Andromeda Morrison, reiterou o aviso na reunião pública da comissão na quarta-feira e disse que todos os licenciados e requerentes têm de atestar o cumprimento «até 30 de outubro, o mais tardar». (tradução nossa) A medida aplica-se apenas ao Ohio.
Os mercados de previsão vendem contratos de eventos, ou seja, operações que pagam consoante algo aconteça ou não, como o resultado de um jogo. Segundo a Legal Sports Report, são supervisionados a nível federal pela Commodity Futures Trading Commission (CFTC). Mas o Ohio defende que os contratos sobre eventos desportivos oferecidos a pessoas no Ohio sem licença estadual de apostas desportivas violam a sua lei. Até agora, a pressão visava as próprias plataformas. Esta carta visa as empresas por trás das apostas reguladas.
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A quem se dirige a carta
A OCCC diz-se «profundamente preocupada com relatos» de que alguns licenciados «continuam a facilitar, apoiar ou prestar de outra forma serviços» a plataformas sem licença que oferecem contratos sobre eventos desportivos no Ohio. (tradução nossa) Os serviços referidos são o fornecimento de liquidez e market making, a monitorização da integridade, e equipamento, segurança de dados e outros serviços tecnológicos. A carta não nomeia nenhuma empresa.
A definição de licenciado é ampla. Inclui operadores de concursos de fantasy, operadores de apostas desportivas, prestadores de serviços de gestão, prestadores de serviços de gestão móvel, fornecedores e o seu pessoal-chave, serviços independentes certificados de monitorização da integridade, laboratórios de testes independentes certificados e quem quer que peça essas licenças ou certificações. Há uma exceção: os licenciados que sejam Futures Commission Merchants ou Introductory Brokers (termo da carta) cumprem se não deixarem os clientes no Ohio aceder, direta ou indiretamente, a contratos sobre eventos desportivos listados em Designated Contract Markets, isto é, bolsas reguladas a nível federal.
O que significa aqui idoneidade
Para ter uma licença de jogo no Ohio, uma empresa e as suas pessoas-chave têm de ser consideradas idóneas, e essa avaliação não é pontual. «Como sabem, manter a idoneidade é uma obrigação contínua da licença», diz a carta. Trabalhar com uma entidade que explora apostas desportivas sem licença no Ohio «diz muito sobre o caráter, a integridade, a honestidade e a reputação do licenciado» e «mina a confiança do público nos mercados regulados de apostas desportivas e concursos de fantasy do Ohio». (tradução nossa)
Segundo a The Event Horizon e a Legal Sports Report, que leram a carta, a comissão diz que pode reabrir investigações de idoneidade e suspender ou revogar as licenças das empresas que não cumpram.
Para o leitor, o ponto prático é que a carta vai além das casas de apostas: chega a fornecedores, aos serviços de integridade que vigiam apostas suspeitas e aos laboratórios que testam jogos e sistemas antes do lançamento. O Ohio pede agora a essas empresas que escolham entre o seu mercado regulado e as plataformas de previsão que considera sem licença.
Como o Ohio chegou aqui
Morrison disse que a carta dá seguimento a orientações que a comissão emitiu em agosto de 2025. Depois de uma decisão do Tribunal de Recurso federal do Sixth Circuit que, segundo a CDC Gaming, permite ao Ohio aplicar as suas leis do jogo contra a Kalshi, a OCCC enviou intimações de cessação a dez empresas de mercados de previsão, com prazo até 16 de outubro: Underdog, Gemini Titan, Coinbase, ProphetX, Novig, Robinhood, Polymarket, Plus500, Moomoo e Webull. Morrison disse na reunião que esses casos «continuam sob investigação». A Polymarket processou entretanto responsáveis do estado num tribunal federal, alegando que as regras de licenciamento do Ohio violam a Constituição dos EUA; a comissão diz que vai defender as leis de apostas desportivas do Ohio. (tradução nossa)
Outros estados também reagem. O procurador-geral do Missouri enviou intimações de cessação a mercados de previsão, enquanto a nível federal a CFTC adotou uma regra provisória segundo a qual as apostas em casinos e casas de apostas com licença estadual não são swaps. Algumas empresas de jogo seguem o caminho oposto, como a app de mercados de previsão que a tribo Tunica-Biloxi prepara com a Kalshi e a plataforma B2B de mercados de previsão da Hacksaw com licença da MGA.
Fontes
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