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Um tribunal federal na Luisiana atrás de carvalhos, com as bandeiras da Luisiana e dos EUA.

Regulação · 3 min

Kalshi processa a Luisiana por contratos desportivos

Um tribunal federal na Luisiana atrás de carvalhos, com as bandeiras da Luisiana e dos EUA. · Bonusjungle illustration

A Kalshi processou a procuradora-geral, o governador e os reguladores do jogo da Luisiana num tribunal federal. Pede a um juiz que impeça o estado de aplicar as suas leis do jogo aos contratos de eventos desportivos da Kalshi. A Luisiana não tomou medidas contra a Kalshi e o tribunal ainda não decidiu nada.

A Kalshi quer que um juiz federal trave a Luisiana antes de o estado agir. A KalshiEX LLC apresentou a 23 de outubro de 2026 uma «Complaint for Permanent Injunctive and Declaratory Relief», ou seja, uma petição inicial de injunção permanente e sentença declarativa, no U.S. District Court for the Western District of Louisiana, o tribunal federal do Distrito Oeste da Luisiana (processo 1:26-cv-04476, KalshiEX LLC v. Murrill et al). Pede ao tribunal que proíba os responsáveis estaduais de aplicar as leis do jogo da Luisiana aos contratos de eventos desportivos que a Kalshi lista na sua plataforma.

Um contrato de eventos paga consoante algo aconteça ou não, como a vitória de uma equipa. A Kalshi oferece-os numa plataforma registada junto do regulador norte-americano dos derivados, a CFTC (Commodity Futures Trading Commission), a autoridade federal dos derivados. Muitos estados veem os contratos desportivos como apostas desportivas com outro nome e querem regulá-los eles próprios. É disso que trata este processo e uma lista crescente de outros. Trata-se dos EUA; este artigo não indica que a Kalshi esteja disponível noutros países.

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Quem a Kalshi processa

Os réus são a procuradora-geral Liz Murrill; Dawn Himel, diretora da Divisão de Jogo da procuradora-geral; o governador Jeff Landry; o Louisiana Gaming Control Board, regulador do jogo da Luisiana, o seu presidente Christopher B. Hebert e os seus membros; a divisão de jogo da polícia estadual da Luisiana; o superintendente da polícia estadual Robert Paul Hodges; e o secretário das Finanças Jarrod J. Coniglio.

O que a Kalshi alega

O argumento central da Kalshi é a primazia do direito federal. Segundo a petição, o Commodity Exchange Act dá à CFTC «competência exclusiva» sobre contratos de eventos negociados num mercado de contratos designado a nível federal, pelo que a Luisiana não pode aplicar um regime de jogo próprio aos mesmos produtos. A ação baseia-se na Supremacy Clause, a cláusula de supremacia da Constituição norte-americana, segundo a qual a lei federal válida prevalece sobre a lei estadual contrária.

A empresa afirma ainda acreditar que o estado «vai avançar em breve com uma ação de execução» para a impedir de oferecer contratos de eventos (tradução nossa). É a avaliação da Kalshi, não uma conclusão de qualquer tribunal. Em apoio, a petição aponta:

  • um «Advisory Notice Regarding Prediction Markets» que o regulador enviou a 5 de dezembro de 2025 a titulares de licenças, de autorizações e pessoas associadas. Nele afirma que esses contratos são jogo ilegal à luz da lei da Luisiana e que o regulador «não vê qualquer defesa para oferecer tal atividade ao abrigo de uma licença da CFTC» (tradução nossa);
  • declarações num artigo do jornal The Advocate de 12 de março de 2026, citado na petição, em que Hebert disse que procuram «ativamente formas de travar isto» e Murrill disse «Isso é jogo» (tradução nossa);
  • pareceres amicus curiae contra a Kalshi assinados por Murrill noutros tribunais federais de recurso.

Porque importa a nova lei da Luisiana

A Kalshi invoca também a lei estadual. O crime de «gambling by computer» (jogo por computador, La. Stat. Ann. § 14:90.3) implica, segundo a petição, multas até 100 000 dólares e até cinco anos de prisão. Instrumentos em vigor desde 1 de agosto de 2026 (§§ 27:19.1–19.2) permitem à procuradora-geral pedir injunções, mandar retirar sites e congelar contas associadas. A Kalshi defende que a lei abrange também as empresas que apoiam uma plataforma, como processadores de pagamentos, afiliados de media e fornecedores de geolocalização.

Na nossa opinião, este último ponto é o mais prático. Um estado não precisa de ganhar à plataforma para lhe dificultar a vida: a pressão sobre as empresas de pagamentos e geolocalização por trás dela pode ter um efeito semelhante muito antes de um tribunal decidir quem regula estes contratos. A SBC Americas liga os novos poderes a duas leis que Landry assinou em maio, as House Bills 53 e 883.

O que não aconteceu

A Luisiana não avançou com qualquer ação formal contra a Kalshi. Ao contrário de alguns processos anteriores da Kalshi, não houve ordem de cessação, nota a Gambling Insider. À data de publicação, o registo do tribunal mostra apenas a petição, uma declaração societária e propostas de citação, todas de 23 de outubro. Não há decisão e o estado ainda não respondeu em tribunal.

Os pedidos da Kalshi incluem uma ordem de restrição temporária (temporary restraining order) e injunções preliminar e permanente. Segundo a petição, a Kalshi vai pedir uma injunção preliminar e só acrescentará o pedido de ordem de restrição temporária se o estado não lhe garantir que aguarda antes de agir. A SBC Americas pediu comentários a Landry, Murrill e ao regulador, sem resposta.

Porque importa o tribunal

A Luisiana pertence ao Fifth Circuit, a área do Tribunal de Recurso federal do Quinto Circuito. A SBC Americas descreve o caso como a primeira vez que o litígio sobre mercados de previsão chega a este território. Ainda não há nada no tribunal de recurso. Mas se o juiz distrital decidir e uma das partes recorrer, outro tribunal de recurso pronunciar-se-á sobre uma questão que outros já responderam de forma diferente.

A própria petição assinala essa divisão. Apoia-se numa decisão do Third Circuit e num acórdão do Ninth Circuit que reconheceu a primazia federal mas duvidou que os contratos desportivos sejam swaps, e menciona o acórdão do Sixth Circuit de 25 de setembro de 2026 nos casos do Ohio e do Tennessee, segundo o qual a lei federal não prevalece sobre as leis do jogo desses estados. Há recursos pendentes em vários outros circuitos.

Na nossa leitura, a Kalshi escolhe o momento e o tribunal em vez de esperar que a Luisiana o faça. A plataforma recebeu esta semana apoio comercial, por exemplo quando a NBA a nomeou plataforma de mercados de previsão preferencial, mas um patrocínio não resolve quem regula estes contratos. Os reguladores estaduais pressionam no sentido oposto, como no pedido de Nova Iorque em tribunal sobre as intimações à Kalshi, no aviso do Ohio aos seus licenciados e na ordem de cessação do Missouri. Sobre o lado federal, veja o nosso artigo sobre a posição da CFTC sobre apostas de casino e desportivas face aos contratos de eventos.

Com contratos de eventos desportivos pode perder-se dinheiro tal como nas apostas. Se deixar de ser entretenimento, use as ferramentas de autoexclusão e os serviços de apoio locais.